Filigranas da memória: história e memória nas comemorações dos centenários de Canudos (1993-1997)

Sinopse da tese de doutorado

Tese de doutorado de Antônio Fernando de Araújo Sá

Doutorado em História

Universidade: Universidade Federal de Sergipe

Orientadora Profa Dra Maria Tereza Negrão De Mello

Ano académico : 2005 - 2006

Como contraponto à organização de marcos instauradores da memória política dominante no Brasil, as comemorações dos centenários da Guerra de Canudos possibilitaram a compreensão da emergência de vozes alternativas à da memória instituída. Intimamente ligadas a diferentes projetos políticos de reconstrução do passado, estas comemorações produziram, nos anos 1990, uma intensa produção cultural na mídia, universidades, movimentos sociais, exército e na cultura popular.
Na primeira parte, intitulada História e memória na eEra das comemorações, realizei, a partir da imagem de um quebra-cabeça (puzzle), um debate teórico-metodológico sobre os problemas levantados na tese, quanto às complexas relações entre história e memória na contemporaneidade. Assim, efetuo uma revisão historiográfica, relacionando história cultural e história da memória, com o objetivo de inquirir os usos da memória na sociedade brasileira contemporânea e suas interações com a constituição da identidade nacional. A imagem do “palimpsesto” foi utilizada para pensar a historiografia e a memória nas comemorações da Guerra de Canudos.
Na segunda parte da tese, Filigranas da memória nos centenários de Canudos (1993-1997), investigo as formas como foram comemorados os centenários da Guerra de Canudos nos movimentos sociais, instituições da sociedade civil e no aparelho do Estado - universidades e exército, enfatizando as batalhas da memória de Canudos. Aqui percebemos uma verdadeira obsessão do presente com relação ao passado com a constituição de “lugares da memória” no Sertão do Conselheiro, região em que Antônio Conselheiro deixou rastros em suas andanças.
Na terceira e última parte, História, mídia e imagens da memória nos centenários de Canudos, faço uma análise das representações produzidas sobre os centenários a partir dos meios de comunicação de massa e eletrônicos, visando compreender as interseções entre política, memória, cultura de massa e identidade social, a partir da atualidade de Canudos como um evento de mídia. Partindo da noção de lugares de memória, construída por Pierre Nora, ressalto a importância dos meios de comunicação de massa e eletrônicos como espaços privilegiados no arquivamento e produção da memória contemporânea.
Como resposta à emergência cada vez maior de uma consciência camponesa que interpelava (e interpela) toda a sociedade brasileira, as batalhas simbólicas em torno das comemorações dos centenários da Guerra de Canudos (1993-1997) ofereceram ao pesquisador uma plêiade de representações sobre Canudos. De um lado, emergiu uma leitura mais pessoal e íntima da vida da comunidade, através de fotos, vídeos e artes plásticas, em que os artistas se pautaram na tradição oral, buscando uma associação com a atualidade da luta pela terra no Brasil contemporâneo.
Ao mesmo tempo, são perceptíveis algumas permanências nas representações de Canudos na contemporaneidade, oriundas dos diferentes suportes referentes à época da guerra propriamente dita, como é o caso das fotografias de Flávio de Barros e da presença atual de Euclides da Cunha na construção da memória de Canudos, especialmente por conta do destaque dado à superprodução cinematográfica comemorativa do centenário da Guerra de Canudos, o filme de Sérgio Rezende.

Notas biograficás do autor

Antônio Fernando de Araújo Sá, poeta e historiador, atualmente é professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Obteve o mestrado em História Política do Brasil pela Universidade de Brasília e o doutorado em História Cultural na mesma universidade. Foi Chefe do Departamento de História (1999-2001) e editor das revistas Cadernos UFS: História (1995-1997) e Candeeiro (1998-2002). Publicou os seguintes livros: Real Porão, Candangos Decapitados, Edições Aracaju/SE, 2002; Combates entre História e Memórias (poesia), Fundação Oviedo Teixeira, EDUFS, São Cristóvão, Aracaju, 2005.

Antônio Fernando de Araújo Sá

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